Outubro chega e o laço cor-de-rosa aparece em tudo: assinatura de e-mail, logo de empresa, post de campanha. De tanto aparecer, virou paisagem — e paisagem a gente não enxerga mais.
Então eu quase não escrevi esse texto. Escrevi porque tem uma versão dele que é especificamente nossa, e essa eu nunca vi ninguém falar.
Você não perde o vencimento de ninguém
Pensa no tamanho do que você controla.
Prazo de obrigação. Prazo de entrega. Prazo que o cliente esqueceu e você lembrou por ele. Prazo que mudou em cima da hora e você reorganizou a semana inteira para dar conta. Você tem, na cabeça e na planilha, dezenas de datas que não podem passar — e elas não passam.
Agora pensa no exame que está marcado para você.
Provavelmente não está marcado. Ou foi marcado e remarcado. Ou está naquele bilhete com o telefone do laboratório, que já mudou de lugar na mesa umas quatro vezes.
Não é falta de organização. Você é excelente em prazo. É outra coisa.
Por que é sempre esse compromisso que cai
Porque é o único que não tem ninguém cobrando.
O cliente cobra. O fisco cobra. A equipe cobra. O sistema manda alerta, o e-mail chega, o telefone toca. Cada um desses compromissos tem alguém do outro lado empurrando.
O exame não manda e-mail. Não tem multa. Ninguém liga na sexta perguntando se saiu.
E quando a semana aperta — e ela aperta —, a gente não corta por importância. Corta por quem vai reclamar. Isso não é fraqueza de caráter, é como qualquer pessoa sobrecarregada decide. O problema é que, feito sistematicamente, o compromisso sem cobrança nunca chega a acontecer.
Não vou falar de equilíbrio
Sendo honesta: tem semana em que não existe equilíbrio. Fechamento é fechamento. Prazo legal não negocia porque você está cansada, e eu não vou fingir o contrário para o texto ficar bonito.
Mas remarcar um exame três vezes não é uma semana apertada. É um ano em que aquilo nunca foi para a agenda de verdade.
E aí não é mais sobre equilíbrio. É sobre uma data estar num lugar onde ela não depende de você lembrar.
O que funciona: trate como cliente
Eu não descobri nada sofisticado. Eu só parei de tratar a minha consulta como uma intenção e passei a tratar como uma obrigação com prazo — exatamente como as outras.
Na mesma agenda das outras. Com a mesma antecedência com que você marca uma reunião importante. Com o mesmo lembrete que você configuraria para um vencimento.
E, principalmente: marcada quando você lembra, não quando sobrar tempo. Porque não vai sobrar. Nunca sobrou. Você sabe disso melhor do que eu.
Se for possível, conte para alguém que você marcou. Não é sobre cobrança alheia — é que, na hora de desmarcar, ter dito em voz alta pesa.
Um pedido, e eu paro por aqui
Esse texto é curto de propósito. Não tem método, não tem passo a passo, não tem nada para implementar na segunda-feira.
Tem um pedido só: antes de fechar essa aba, marque o que está atrasado. Aquele exame que o seu médico já pediu e que você sabe exatamente qual é.
A gente cuida do negócio de muita gente. Dá para reservar meia hora no ano para cuidar de quem faz isso tudo funcionar.
Levar para o seu evento
Programadas para brilhar
Ocupar cadeira, cobrar por valor e parar de pedir licença para liderar. A sala sai trocando contato e com uma pauta que continua viva na entidade.
Ver a palestra →