Inez Lemos Lopes

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Bastidores & trajetória · 3 min de leitura

O que eu faria diferente — e o que eu faria igual

Cada sábado valeu. O que eu mudaria é ter deixado de me paralisar com quem não acreditava — porque quem não acredita também não constrói.

Último texto da série. É onde eu deveria dizer que faria tudo diferente, porque fica humilde. Só que não seria verdade.

O que eu faria igual: tudo

Cada sábado, cada domingo, cada reunião de segunda mostrando para o time o que tinha ficado pronto. Valeu.

Não é frase de efeito. É que o método — construir, entregar cedo, ouvir e corrigir — foi o que fez a coisa existir. Se eu tivesse esperado ter certeza, ou esperado alguém aprovar, eu ainda estaria estudando.

O que eu faria diferente: não me paralisar

O que eu mudaria não tem a ver com tecnologia. Tem a ver com quem estava em volta.

Sempre existe gente que não acredita que vai dar certo. Faz parte da vida, e não é maldade — é medo, na maioria das vezes. Eu deixei que essa descrença me paralisasse em alguns momentos, como sócia e como líder da empresa.

E a observação que eu levo comigo é simples: quem não acredita também não produz. A opinião de quem não vai construir nada não deveria ter o peso que eu dei a ela.

Se eu recomeçasse hoje, eu convidaria essas pessoas para fazer alguma coisa junto — e seguiria em frente com quem topasse.

Para a contadora que está pensando em fazer o mesmo

Sem "acredite em você". Três coisas práticas:

Não escute quem diz que isso não é para você. Essa frase nunca vem de alguém que construiu algo. Vem de quem não construiu.

Estude. Não dá para pular essa parte, e ela é mais acessível do que parece. O que eu sabia há dois anos não chegava perto do que eu sei hoje, e o caminho foi teimosia somada a leitura.

Comece pequeno, mas comece. Uma tarefa chata. Uma planilha que ninguém aguenta mais. O primeiro processo que você domina de olhos fechados. Não escolha o problema mais importante — escolha o que você consegue descrever melhor.

O medo não some antes. Ele some depois, e um pouco de cada vez.

O que veio depois — e por que foi para o cliente

A primeira fase inteira foi para dentro: retrabalho, volume, planilha, conferência. Tudo o que a Trady fazia à mão e não deveria.

Só que resolver isso mudou a minha visão do problema. Quando o barulho de dentro baixou, o que apareceu foi o barulho do lado de fora: a burocracia que está pesando no colo do cliente. E ela cresceu tanto nos últimos anos que eu precisei intercalar — parar de olhar só para a nossa operação e começar a olhar para a dele.

Foi assim que nasceu a plataforma 360, que é do cliente.

E o primeiro aplicativo dela foi a Gestão de Lucros. Porque o governo passou a tributar lucro distribuído acima de um teto, e isso criou um controle que não existia: quanto já foi pago, quanto ainda cabe, o que está amparado por ata, o que dispara retenção. Imagina fazer esse acompanhamento, cliente por cliente, mês a mês, dentro de uma planilha.

Não dá. E é exatamente por não dar que ele foi o primeiro.

Essa é a próxima série.

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