Essa é a pergunta que mais me fazem quando alguém está decidindo se investe: como você sabe que valeu?
Eu respondo com um caso, com uma armadilha e com uma mudança de semana.
O caso: cinco dias viraram três horas
Tem uma empresa nossa cuja apuração levava quase cinco dias para ficar validada.
O motivo era artesanal. A gente imprimia o documento que saía do sistema. Preenchia à mão num lugar. Depois vinha o relatório da EFD, também conferido manualmente. Cinco dias de gente boa fazendo trabalho que não exige nem talento nem julgamento — exige paciência.
Hoje esse mesmo processo leva três horas. E não são três horas de resultado cru: já vêm com os apontamentos das notas fiscais que estão com problema, prontas para corrigir.
Essa é a métrica que eu mais gosto, porque ela é honesta. Ninguém precisa acreditar em mim: é o mesmo trabalho, com o mesmo resultado, medido no relógio.
A armadilha: eu gosto demais de construir
Agora a parte incômoda.
Eu sou a sócia responsável por essa frente, e eu gosto do processo. Gosto tanto que tudo o que eu olho vira alguma coisa: virava um GPT, depois virava um assistente, agora vira um aplicativo.
E aí acontece o seguinte — algumas dessas coisas me tomaram tempo e não atacavam dor nenhuma. Ficaram bonitas. Funcionavam. Só não resolviam um problema que existia de verdade na operação.
Foi olhar o número que mostrou isso. Não foi intuição, porque a intuição estava do lado de quem construiu.
Por isso a disciplina que eu adotei é chata de propósito: mapear a dor primeiro e não sair da linha que você traçou. Parece burocracia, mas ganha tempo e reduz estresse — e evita que você descubra três meses depois que automatizou algo que ninguém pediu.
O que mudou na minha semana
Essa é a resposta menos óbvia, e é a que mais mudou a operação.
A gente construiu um data lake — um lugar onde a informação fica guardada assim que chega. Então se o site da prefeitura caiu no dia em que eu preciso fechar o fiscal, eu não fico refém: eu entro no nosso módulo fiscal, a informação já está lá, os XMLs estão lá, e eu sigo.
Isso é diferente de ganhar tempo. Isso é deixar de depender de terceiro para trabalhar.
E é a base da fase em que a gente está agora: construir agentes que analisam o que chega, e automações que disparam sozinhas logo depois da captura.
O ganho que eu não sabia nomear
Se você me perguntasse há um ano, eu teria dito que o objetivo era velocidade. Era o que eu conseguia enxergar.
Não é só isso. O ganho maior é que a atividade passou a ter menos risco.
Quando o processo tem um rito, uma regra que foi escrita e combinada, ele não depende de quem está executando naquele dia, nem de quem lembrou de conferir. O resultado é o mesmo independente de estar todo mundo tranquilo ou de ser dia 20.
Velocidade é o que aparece primeiro. Previsibilidade é o que fica.
No último texto da série eu conto o que eu faria diferente se recomeçasse hoje — e por que a próxima coisa que a gente construiu foi para o cliente, e não para dentro de casa.
Levar para o seu evento
Da curiosidade ao software
O caminho real de adoção de IA num escritório contábil, incluindo o que não funcionou. A sala sai com um processo escolhido e uma pessoa responsável por ele.
Ver a palestra →