Inez Lemos Lopes

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IA na prática · 3 min de leitura

O que eu peço à IA antes das nove da manhã

Três pedidos pequenos, de risco baixo, que eu faço todo dia antes de começar. Nenhum deles é impressionante — e é justamente por isso que viraram hábito.

Quando me perguntam como eu uso inteligência artificial no dia a dia, esperam ouvir algo grande. Um projeto, uma integração, um sistema.

A resposta verdadeira é bem menor: são três pedidos, todos antes das nove da manhã, e nenhum deles daria uma boa foto de palestra.

É por isso que eles funcionam.

Por que pequeno, e por que de manhã

Tarefa pequena tem três vantagens que tarefa grande não tem: o risco é baixo, o resultado aparece na hora e, se der errado, você perde cinco minutos.

E de manhã porque é quando a decisão de usar ainda não competiu com nada. Às quatro da tarde, com três coisas atrasadas, ninguém experimenta ferramenta nova. Experimenta às sete e meia, com café na mão.

1. A triagem do que chegou

Colo a lista do que entrou — assunto e primeira linha de cada mensagem — e peço uma separação em três montes: o que precisa de mim hoje, o que pode esperar, e o que só precisa de um "recebi, estou olhando".

Não peço para responder nada. Peço para organizar.

Ganho uns quinze minutos, mas o que importa mais é outra coisa: eu paro de abrir a caixa e ser puxada pelo que está no topo. Passo a abrir sabendo a ordem.

2. O resumo da matéria longa

Aquele boletim de quarenta páginas, o informativo da entidade, o material que chegou e vai ficar sem ler. Eu entrego o arquivo e pergunto: o que aqui muda algo para quem atende prestadora de serviço?

Duas regras nessa, e as duas importam:

Sempre com o documento na mão, nunca de memória. A pergunta é sobre aquele PDF, não sobre o assunto em geral — é a diferença entre um resumo e uma invenção plausível.

E o que interessar, eu vou ler no original. O resumo serve para eu saber onde ler, não para substituir a leitura.

3. A preparação da reunião

Antes de falar com um cliente, colo o que ficou da última conversa e o que está em aberto, e peço: cinco perguntas que eu deveria fazer hoje.

Três costumam ser óbvias. Uma eu já ia fazer. E quase sempre tem uma que eu não tinha pensado — normalmente a desconfortável, aquela sobre um assunto que a gente vem empurrando há dois meses.

Vale pela quinta.

O que eu não faço de manhã

Isso é tão parte da rotina quanto o resto.

Não peço para escrever nada que vá para cliente e saia sem eu reescrever. Não pergunto legislação de memória — se for para consultar norma, vai o documento junto. E não coloco dado que identifique cliente em ferramenta aberta, nunca.

Por que três pedidos batem um projeto

Porque projeto tem data de início e a data nunca chega.

Três coisas pequenas repetidas todo dia constroem uma intuição que nenhuma palestra ensina: você começa a perceber sozinha onde a ferramenta ajuda e onde ela só atrapalha. E aí, quando aparecer a oportunidade de automatizar algo grande, você vai ter opinião — em vez de ter só entusiasmo.

Escolha uma das três para amanhã de manhã. Não as três. Uma.

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