Quando me perguntam como eu uso inteligência artificial no dia a dia, esperam ouvir algo grande. Um projeto, uma integração, um sistema.
A resposta verdadeira é bem menor: são três pedidos, todos antes das nove da manhã, e nenhum deles daria uma boa foto de palestra.
É por isso que eles funcionam.
Por que pequeno, e por que de manhã
Tarefa pequena tem três vantagens que tarefa grande não tem: o risco é baixo, o resultado aparece na hora e, se der errado, você perde cinco minutos.
E de manhã porque é quando a decisão de usar ainda não competiu com nada. Às quatro da tarde, com três coisas atrasadas, ninguém experimenta ferramenta nova. Experimenta às sete e meia, com café na mão.
1. A triagem do que chegou
Colo a lista do que entrou — assunto e primeira linha de cada mensagem — e peço uma separação em três montes: o que precisa de mim hoje, o que pode esperar, e o que só precisa de um "recebi, estou olhando".
Não peço para responder nada. Peço para organizar.
Ganho uns quinze minutos, mas o que importa mais é outra coisa: eu paro de abrir a caixa e ser puxada pelo que está no topo. Passo a abrir sabendo a ordem.
2. O resumo da matéria longa
Aquele boletim de quarenta páginas, o informativo da entidade, o material que chegou e vai ficar sem ler. Eu entrego o arquivo e pergunto: o que aqui muda algo para quem atende prestadora de serviço?
Duas regras nessa, e as duas importam:
Sempre com o documento na mão, nunca de memória. A pergunta é sobre aquele PDF, não sobre o assunto em geral — é a diferença entre um resumo e uma invenção plausível.
E o que interessar, eu vou ler no original. O resumo serve para eu saber onde ler, não para substituir a leitura.
3. A preparação da reunião
Antes de falar com um cliente, colo o que ficou da última conversa e o que está em aberto, e peço: cinco perguntas que eu deveria fazer hoje.
Três costumam ser óbvias. Uma eu já ia fazer. E quase sempre tem uma que eu não tinha pensado — normalmente a desconfortável, aquela sobre um assunto que a gente vem empurrando há dois meses.
Vale pela quinta.
O que eu não faço de manhã
Isso é tão parte da rotina quanto o resto.
Não peço para escrever nada que vá para cliente e saia sem eu reescrever. Não pergunto legislação de memória — se for para consultar norma, vai o documento junto. E não coloco dado que identifique cliente em ferramenta aberta, nunca.
Por que três pedidos batem um projeto
Porque projeto tem data de início e a data nunca chega.
Três coisas pequenas repetidas todo dia constroem uma intuição que nenhuma palestra ensina: você começa a perceber sozinha onde a ferramenta ajuda e onde ela só atrapalha. E aí, quando aparecer a oportunidade de automatizar algo grande, você vai ter opinião — em vez de ter só entusiasmo.
Escolha uma das três para amanhã de manhã. Não as três. Uma.
Levar para o seu evento
Da curiosidade ao software
O caminho real de adoção de IA num escritório contábil, incluindo o que não funcionou. A sala sai com um processo escolhido e uma pessoa responsável por ele.
Ver a palestra →