Inez Lemos Lopes

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Play Prompt · 3 min de leitura

A fórmula que eu uso para falar com a IA

Contexto, Tarefa, Formato e Exemplo. Quatro partes que transformam um pedido vago numa resposta que serve — com um exemplo da rotina contábil.

A queixa que eu mais ouço sobre inteligência artificial não é "não sei usar". É "eu usei e não veio bom".

Quase sempre não é a ferramenta. É o pedido. A gente escreve para a IA como escreveria numa busca do Google — três palavras soltas — e depois estranha que a resposta tenha vindo genérica.

Existe uma fórmula que resolve a maior parte disso, e ela cabe em quatro letras.

C.T.F.E.

Contexto — quem você é e qual é a situação. Tarefa — o que exatamente você quer. Formato — como quer receber. Exemplo — o tom ou o estilo de referência.

Na prática, num pedido de verdade:

Sou contadora e atendo prestadoras de serviço no Simples (C). Escreva um e-mail avisando meus clientes sobre a mudança no prazo de entrega da declaração (T). No máximo 150 palavras, com assunto e uma linha final dizendo o que eles precisam fazer (F). Tom direto e tranquilo, sem alarmismo (E).

Compare com o que a maioria escreve: "faça um e-mail sobre mudança de prazo".

A diferença entre os dois pedidos é de uns quinze segundos digitando. A diferença entre as duas respostas é de meia hora reescrevendo.

O erro mais comum é desistir no primeiro tentativa

Se a resposta não veio boa, não recomece do zero. Converse.

  • "Ficou longo demais, corta pela metade."
  • "Muda o tom, está formal demais para esse cliente."
  • "Me dá três versões diferentes e eu escolho."

A mágica não está no primeiro pedido. Está no vai e volta. É por isso que eu digo que a IA é conversa, não comando — e quem trata como comando desiste rápido.

O "E" é o que quase ninguém usa

Das quatro letras, a que mais muda o resultado e a que mais gente esquece é o Exemplo.

Se você tem um texto seu que ficou do jeito que você gosta — um e-mail, uma mensagem de cobrança, uma explicação que você já deu mil vezes — cole junto e diga: "escreva no mesmo tom deste aqui".

É a forma mais rápida de a resposta parar de ter cara de robô. E é também o começo de um bom hábito: a IA fica melhor conforme você mostra o seu jeito, não conforme você pede mais bonito.

Uma coisa que a fórmula não resolve

Ela melhora a resposta. Ela não confere a resposta.

Continua sendo você quem verifica número, prazo e base legal antes de mandar para o cliente. A IA erra com confiança — escreve errado com a mesma segurança com que escreve certo, e isso é o que a torna perigosa para quem confia demais.

Use como rascunho. A assinatura no fim continua sendo sua.

Para testar hoje

Pega uma tarefa chata que você vai fazer de qualquer jeito essa semana. Escreve o pedido com as quatro partes. Se não vier bom, conversa mais duas vezes.

Se em quinze minutos você tiver algo utilizável, achou o seu começo. Se não tiver, me conta o que você pediu — quase sempre está faltando o Contexto.

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